Quem me conhece e costuma ler meu Blog, sabe do amor que sinto por minha avó.
Ela é portadora do Mal de Alzheimer e depois de todas as tentativas, tratamentos, medicamentos, orações… enfim, depois de tudo, a doença tomou uma proporção tamanha, que nada mais pode ser feito. A não ser acompanhar dia-após-dia, minha avó se desfazendo e se desintegrando aos poucos, dia-apos-dia.
Hoje ela já não sabe mais mastigar… esqueceu! Então, sua alimentação básica é mingau e papinha.
Está tão magrinha!!!
Pele e ossinho… mas está lá. O coração ainda não esqueceu de bater, por isso ela ainda persiste.
Já não reconhece ninguém, não fala, não interage mais com o mundo. Hoje ela vive em um mundo próprio, sem cor, sem vida, sem alegria, pois seus olhinhos perderam o brilho e não vibram mais.
E eu, me acovardei diante do fim.
Não consigo suportar vê-la assim. Não consigo entender o fim de um ciclo, baseado no esquecimento da vida. Onde acompanhamos o esvair da última gota, até não sobrar mais nada.
Hoje, nem a sombra da mulher que minha vó foi, reflete em nossos olhos.
Nada… é como se a alma já tivesse abandonado o corpo, deixando ali, somente os órgãos que ainda insistem em pulsar.
E essa tristeza, misturada com saudade, acaba explodindo em lágrimas que não consigo controlar.
Hoje é isso.
Hoje estou “isso”!
Beijo
Li
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